domingo, 31 de julho de 2016

"Nada é tão ruim...

... que não possa piorar" (máxima número 3 da Lei de Murphy, de Edward Alvar Murphy Jr.).
O ditado é tão cruel quanto verdadeiro, e aplica-se perfeitamente bem ao Campeonato Catarinense de Automobilismo nesta temporada de 2016.
Ano passado, quando os grids ultrapassavam os 100 pilotos inscritos, essa pedra foi cantada por mim e alguns mais críticos quanto ao rumo que as coisas estavam tomando, e dentre estes que conseguiram "prever" esse calvário haviam especialmente pilotos e preparadores, e todos que ousaram expressar essa visão sofreram duras críticas por vislumbrar esse futuro de terra devastada (com o perdão do trocadilho) ao "nosso" campeonato.
Pois bem, o cenário atual é pior do que qualquer uma das previsões, inclusive as mais pessimistas na época, e a grande pergunta que não quer calar é: E AGORA?!?
Não adianta vir com o blá-blá-blá de crise, como já tentaram empurrar goela abaixo diversas vezes. A crise chegou com força sim, mas não foi ontem ou em fevereiro, as vésperas da temporada 2016 iniciar. Os problemas são muito maiores do que os financeiros, e para comprovar isso basta comparar os outros regionais pelo Brasil afora (Gaúcho, Paulista, Paranaense (terra e asfalto), regional de Cascavel e por aí vai...). Na média a maioria teve uma pequena redução nos grids, variando entre 10 e 20%, sendo que alguns até cresceram, enquanto no Catarinense a redução foi de praticamente 60%. 60%!!!!!!!!!!!!!
Olhando apenas para nosso estado, a Copa Santa Catarina, disputada em Ascurra, teve um crescimento no grid, o que por si só derruba por terra (novamente desculpa pelo trocadilho) a teoria da crise.
O problema é institucional, é administrativo, é de gestão, de comando e de credibilidade (no caso desta última, a falta dela!).
O Catarinense de Automobilismo parece um barco a deriva, sem capitão. O tempo todo estão destapando um santo para cobrir outro, e o modelo tanto do campeonato quanto da gestão são desastrosos, arcaicos e fora de contexto com a realidade.
Se fosse um time de futebol, a torcida já teria pedido várias cabeças na bandeja, do zagueiro ao centroavante, do massagista ao técnico!
Para se ter uma ideia, na última etapa realizada em Lontras no final de semana passado, o total de pilotos inscritos no Catarinense foi de 35 carros em 7 categorias! Isso é (ou seria) número de inscritos pra 2 categorias, no máximo 3!
O que salvou a etapa foi a Copa Serrana (novamente), que levou pra pista 15 carros.
O público foi muito fraco, assim como tem sido frequente em outros autódromos.
De uma maneira geral o sentimento é o pior possível: os Clubes estão quebrados, não querem mais fazer etapas, o público é mais fraco do que quermesse de bairro e os grids são uma piada!

Um suspiro de esperança, mas só um suspiro!

Na semana que vem São Bento do Sul será a sede da 7ª etapa do Catarinense, onde ocorrerá também a 4ª etapa da TCC e o Brasileiro de Velocidade na Terra. Será um evento grandioso e que certamente deverá ultrapassar os 110 ou 120 pilotos inscritos, talvez até mais. Só a TCC colocará na pista mais de 20 carros, assim como a Marcas "A" que terá um grid épico em quantidade e qualidade.
Porém, para tristeza de todos, infelizmente será a corrida derradeira para o "Lourenço Schreiner". Assim que a bandeirada da última bateria for dada na tarde do domingo, dia 7 de agosto, tudo virará história.
O SBMC (São Bento Motor Clube) é mais um dos Clubes que não tem mais condições de fazer eventos. A arrecadação que os Clubes tem é da portaria (leia-se público) e neste ano passaram a receber 25% de participação das inscrições. Aos Clubes recai toda a burocracia com a documentação, autorizações, toda a organização do evento, equipe de trabalho, grande parcela da divulgação e o retorno é... praticamente nada! Na maioria das provas operam no vermelho.
Após esta etapa de São Bento (que certamente será comemorada pela "cúpula" do Campeonato como se tivessem grande mérito por isso, mas a mesma não contribui em nada para seu crescimento), haverá um "choque de realidade" na prova seguinte, marcada para 10 e 11 de setembro em Santa Cecília, quando novamente o grid deverá ser de 30 e poucos, talvez 40 carros no total.
Chegamos ao fundo do poço, e para quem realmente ama a velocidade na terra e este campeonato em especial, dá um calafrio na espinha em pensar que ainda há um porão embaixo desse poço.
Realmente "nada é tão ruim que não possa piorar". Parabéns aos envolvidos em jogar o Campeonato Catarinense de Automobilismo num penhasco e com uma pedra amarrada ao pescoço!
Como disse um sábio amigo dias atrás, "antes de melhorar ainda vai piorar muito".
Algo precisa ser feito, URGENTE!!! 
Foto: Internet

7 comentários:

Roberto Pruner disse...

Tristes verdades.
Entre protegidos e perseguidos o CCA vai desmoronando!!!

Leandro Granemann disse...

Sábias palavras amigo Francis, infelizmente essa é a realidade do nosso cca.

Ingo Hofmann disse...

Infelizmente parece que estou perdendo muito pouca coisa ao não ir aos nossos autódromos. Pouca coisa ou nada...

Marcelo Cancian disse...

Triste e revoltante...

Ike Nodari #41 disse...

É isso aí Francis. Nas horas boas ninguém pensa em aperfeiçoar, só querem as benesses. E agora quem assumirá erros? Quem bancará as mudanças necessárias? Em navio afundando ratos e covardes são os primeiros a pular fora. Durma-se com esse barulho.

Adolf Schartner disse...

Lamentável tudo isso, Francis. Infelizmente o automobilismo esta cada vez mais raro no sangue dos brasileiros. Se não, não iríamos ter um público tão fraco prestigiando esse esporte. Não se tem mais interesse em ir nos autódromos. Porque será???

Deivicris de Cristo disse...

Triste... muito triste... infelizmente isso tudo que vc mencionou foi com base em números, o que não pode ser discutido. Uma pena que quando alguém avisa, é pessimista, e quando o que se foi avisado acontece, aquele que avisou que iria acontecer é taxado como opositor... não dá pra entender. Parece que pensam que quando alguém tem uma ideia pra melhorar, levam como crítica do que está sendo feito como ofensa pessoal. Não pensem assim, amigos que dirigem o nosso esporte. Quando mencionamos algo que deve mudar, não estamos criticando com o intuito de destruir o que está sendo feito e nem ofender quem está fazendo. Estamos querendo melhorar o que existe. O que AINDA existe, aliás. Só não deixem acabar, por favor! Que nossos dirigentes estejam mais atentos à quem forma o show. É deles que este esporte depende.
Não deixem acabar. Vamos ser mais humildes e reconhecer os erros. Todos erram, mas não podemos insistir nos erros. Não falo mais em torcer pra melhorar. Falo em torcer pra ouvirem mais, para então poder melhorar.

Abraços, Poeiras!