Desde ontem li em muitos lugares (blogs, sites, etc.) alguns "entendidos" massacrando Interlagos, que deve ser urgentemente fechado, que a pista é assassina, etc. Pois bem, morreram 3 pilotos lá nos últimos 2 meses: primeiro foi João Lisboa, piloto de moto, depois Gustavo Sondermann, da Copa Montana, e agora Paulo Kunze, da Stock Car Light Paulista, mas o problema não é a pista, são as pessoas, em especial as que estão no comando do Automobilismo Brasileiro, ou seja, a CBA.
As duas últimas gestões da CBA, com Paulo Scaglione e atualmente com Cleyton Pinteiro, tem sido desastrosas, um lixo!
A turminha lá quer saber de carteiras, taxas e números, e o resto que se f...erre, como por exemplo os pilotos.
Será que as pistas de terra e o carros aqui do Catarinense e da Copa SC são tão melhores do que Interlagos e os carros da Copa Montana e da Stock Paulista? Acho que não, mas aqui algumas coisas são bem melhores que lá, tanto é que em 30 anos de poeira levantando nunca houve uma morte nas pistas daqui, e olha que já apareceu cada 'carroça' pra correr que por dinheiro nenhum eu colocaria minha bunda lá dentro.
Cabe aos pilotos fazerem as cobranças que devem ser feitas e ter a consciência que vale a pena comprar um cinto bom, um banco adequado, fazer um Santo Antônio bem construído e possuir todos os equipamentos necessários pra praticar um esporte de risco como é o Automobilismo. Ou vocês acham que um capacete de '30 pilas' vai salvar a cabeça de alguém numa capotagem mais séria? Eu tenho certeza que não...
Voltando ao Sr. Paulo Kunze: ele tinha 67 anos de idade. Isso é idade pra alguém pilotar um carro de corridas? É! Se um moleque de 16 anos que ainda tem a bunda cheirando a talco Pom-Pom pode fazer a carteira e acelerar, porque alguém com tanta experiência de vida não pode?
Procurei me informar o máximo que pude sobre Paulo Kunze, e descobri que ele teve uma infância pobre, lutou muito na vida e esteve no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas num determinado momento de sua vida, onde começou a sua virada.
Ele realizou um sonho correndo de carro, e como poucos, eu sei bem o que o Sr. Paulo sentia lá dentro do cock pit, solitário, na companhia do berro do motor.
Tenho certeza que ele aproveitou cada segundo em que esteve lá dentro e partiu feliz, realizado e leve, assim como eu partiria se morresse dentro um carro de corrida.
Se eu chegar aos 67, espero estar acelerando também.

Descanse em paz, Paulo Kunze!
Abaixo as imagens do acidente.


